Folclore Amazônico.


A região norte é rica em aspectos culturais. A presença indígena ainda é muito forte e isso faz com a região cultive várias lendas e festas de origem indígena. Também carrega alguns elementos de outros estados, já que no passado houve uma grande migração de gaúchos, paulistas e até europeus e africanos. Sendo assim, são várias as manifestações culturais presentes nessa parte do Brasil.

    Talvez uma das maiores e mais conhecidas seja o Festival de Parintins, realizado todos os anos. A festa gira em torno da disputa entre dois bois: o Garantido (representado pela cor vermelha) e o Caprichoso (representado pela cor azul).  São os desfiles dos dois “bois” no último final de semana do mês de junho. Ao todo, são 27 vitórias do boi Garantido e 19 do Caprichoso. É uma festa de três noites de apresentações e envolve toda a cidade turística de Parintins-AM, além de atrair pessoas do Brasil e do mundo para assistir ao espetáculo. A festa nasceu a partir da influência de imigrantes nordestinos que trouxeram a lenda “Bumba-meu-Boi” e é realizado desde 1966. Atualmente o local das apresentações é um espaço especialmente destinado à festa: uma arena chamada de Bumbódromo. 

A festa se parece um pouco com esquema do carnaval: cada um dos bois desfila com sua própria música, há encenações ao longo do percurso  e fantasias. Uma peculiaridade marcante é a essencial de sempre valorizar a cultura local . 

    O evento e a rivalidade entre as torcidas têm proporções realmente grandes. Para se ter uma ideia, a galera (torcida) do boi Caprichoso não fala o nome do seu adversário ( boi Garantido) e só se refere e esse como “contrário” e o mesmo é feito pelos torcedores do Garantido. Outro fato curioso é que, durante as apresentações de um dois bois, a torcida adversária faz absoluto silencio, não xingando, vaiando ou emitindo qualquer som. Isso acontece pelo respeito entre os competidores e também porque a “galera" ou ”torcida” também é alvo de avaliação para nota, que faz parte da contagem de pontos para definir o campeão do ano. Além desse quesito, ainda existem 20 aspectos a ser analisado pelos jurados para definir o campeão. Esses jurados, aliás, são chamados de diferentes partes do Brasil,  menos da região norte, para não haver parcialidade nos votos.

    Mas a cultura dessa região não se limita somente a esse festival: ela é rica em folclores e celebrações culturais. Os índios contribuem com seu artesanato, muito rico e variado, e suas lendas, que forma grande parte do folclore do norte brasileiro. Outra grande contribuição do povo indígena foi a culinária presente no norte: carne seca, modos diferentes de preparar peixes, uso de mandioca, pimenta e outros.


    Os imigrantes nordestinos, junto aos imigrantes europeus, levaram a cultura do catolicismo para a região. Prova disso são algumas manifestações tipicamente católicas e que são muito populares nessa parte do Brasil, como: a Folia dos Três Reis Magos ou a encenação da “Paixão de Cristo” em Jerusalém-AM, segunda maior cidade cenográfica do mundo. Há também a Festa do Divino, presente principalmente em Rondônia, com muitos participantes. No quesito culinário, os nordestinos levaram algumas receitas típicas do nordeste para essa região como: canjica, farofas e outros. 
 


    Há também a herança dos imigrantes africanos na formação cultural da região norte. Uma das mais marcantes é prática da “congada”, que é uma festa encanando a coroação de um rei e uma rainha eleita pelos escravos. Uma dança tipica com forte influencia africana é o carimbó, que de acordo com historiadores foi criada pelos indios tupinambás, inicialmente, segundo tudo indica, a "Dança do Carimbó" era apresentada num andamento monótono, como acontece com a grande maioria das danças indígenas. Quando os escravos africanos tomaram contato com essa manifestação artística dos Tupinambás começaram a aperfeiçoar a dança, iniciando pelo andamento que, de monótono, passou a vibrar como uma espécie de variante do batuque africano. Por isso contagiava até mesmo os colonizadores portugueses que, pelo interesse de conseguir mão-de-obra para os mais diversos trabalhos, não somente estimulavam essas manifestações, como também, excepcionalmente, faziam questão de participar, acrescentando traços da expressão corporal característica das danças portuguesas.


 Também há lendas de origem africana que acabaram se misturando as da região. Lendas são o que não faltam no folclore dessa região: desde mitos famosos como Bicho Papão e Saci Pererê até outras mais regionais como a da Vitória Régia e a do Boto.


     A lenda do boto era de um boto rosado, que em noites de festa, aparecia em forma de um rapaz, usando chapéu ( para encobrir o buraco que os botos tem na cabeça) e seduz as moças desacompanhadas e as leva para o fundo do mar e, em alguns casos, as engravida. Já a vitória régia era, segundo a lenda indígena, a índia mais bonita de uma aldeia e era apaixonada pela lua, ou “guerreiro lua”. Então, ficava a observar a lua todas as noites, até que, em uma oportunidade, ela viu o reflexo da lua no rio. Então, ela pulou e tentando achar guerreiro lua na água, morreu afogada. Triste pelo que tinha acontecido, a lua fez com que nascesse uma planta na água com seu formato e que carregasse o nome da índia.

    Além dessas lendas ainda existem as do: Boitatá, Curupira, Iara, Cobra Honorato, Onça Maneta e outros.

    A culinária da região norte tem influencia, principalmente, de imigrantes portugueses e dos índios. Alguns dos muitos pratos característicos da região são: feijoada paraense, o tucupí, pirarucu de casaca, a maniçoba e outros. Outro prato famoso é o Tacacá: um caldo quente que tem dentro camarão seco, tucupí, jambu e goma. Já na área de doces a principal contribuição do norte para o Brasil é o açaí, bolo de mandioca , as castanhas-do-Pará, bijú e outros. A culinária típica dessa região esta muito ligada com as frutas e especiarias únicas da região norte




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