Um pouco da história de como começou a empresa.

Alex Flávio: de jogador de futebol a empresário no turismo

Alex Flávio Brazil Amazon Turismo Entrevistas Parole

Qual é o grande sonho da maior parte dos meninos aqui no Brasil? A resposta, um tanto óbvia, é ser jogador de futebol. Para chegar até esse status, o jovem precisa passar por diversos desafios: peneiras, concorrência, treinos, paciência e certa dose de sorte.

Agora, o que você diria soubesse de alguém que chegou a ser jogador profissional e, por um acaso, mudou de área? Alex Flávio, morador de Belém, continua a viajar bastante, porém não mais como atleta, e sim como agente de viagens. Veja abaixo a trajetória do rapaz de 25 anos, dono da Brazil Amazon Turismo:

PAROLE – Como teve início a ideia de ser jogador de futebol?
ALEX FLÁVIO – Eu sempre gostei de jogar bola e tinha o sonho de ser jogador de futebol. Desde pequeno, participei das divisões de base dos clubes das cidades por onde morei. Apesar de ter nascido em Belém, havia morado em nove cidades, exceto aqui. Já morei na Bahia, Amapá… aí, em 2006, retornei a Belém, ainda como jogador. Nessa trajetória, desde o começo, passei por clubes como Trem (AP), Rumo Norte (AP), Remo (PA) e Sport Club Belém.

P – E qual foi o seu primeiro contato com turismo?
AF – Mesmo com a atividade de jogador, eu não parei de estudar. Fiz curso de inglês, sou formado em Administração e pós-graduado em Marketing. Em 2009, aconteceu em Belém o Fórum Mundial Social. Por causa do evento, veio muita gente de toda parte do mundo. Na época, além do inglês, fiz cursos oferecidos pela prefeitura sobre como hospedar turistas em casa. Foi bem legal. Quando terminei o curso de inglês, um amigo, Fernando Peixoto, que é dono de um hostel, me perguntou se eu sabia falar inglês. Eu disse que sabia, até com certo receio, por falta de prática. Nessa época, ele pegou um barco de três andares e o transformou em hotel porque não tinha mais quartos disponíveis na cidade. Ele colocou 250 gringos no hotel e fiquei responsável pela recepção e outras coisas operacionais, como parte financeira.

P – Como foi o desempenho neste “freela”?
AF – De toda equipe, somente eu e outra pessoa falávamos inglês. Foi aí que comecei com o turismo propriamente dito. Isso foi muito bom para mim, tanto, que tenho como um divisor de águas. Nestes 13 dias, eu perdi o medo, quebrei a barreira do medo de falar inglês.

P – Após esse período, você continuou a trabalhar na área?
AF – Como o Peixoto gostou do meu trabalho, me convidou para trabalhar com ele no hostel, onde 95% dos hóspedes são gringos. Então, nessa época, trabalhava na recepção e conciliava com o futebol, algo que começou a me atrapalhar. Muitas vezes, ficava lá até tarde e tinha treino no outro dia de manhã. Trabalhei diariamente no hostel uns por dez meses, mas tive que dar prioridade ao futebol. Continuei trabalhando com o meu amigo, mas somente como folguista e fiquei assim por um ano. Nesta época, eu jogava no Remo.

Alex Flávio Brazil Amazon Turismo Entrevistas Parole 3

Ao lado da noiva Adriana que, inclusive, recebeu o pedido de casamento durante uma viagem para Fortaleza. A cerimônia está marcada para 2016. Na foto, os dois estão em Puerto Madero, Buenos Aires (foto: arquivo pessoal)

P – Mesmo com o futebol e o trabalho no hostel você fez o curso de Administração. Como ele lhe foi útil?
AF – No fim de 2010, eu já estava com a ideia de abrir um negócio, talvez uma franquia. Fazendo algumas pesquisas, vi que em Belém havia falta de serviços receptivos [empresas que recebem o turista e oferecem passeios pela cidade, excursões, guias etc]. Muitas empresas aqui estavam focando somente no emissivo [aquelas que enviam o cliente para outro destino]. Até o governo estava apoiando empresas que trabalhassem com foco em receber os visitantes. Certo dia, no início de 2011, meu pai [Nilton Magalhães], funcionário do Banco do Brasil na época, foi visitar uma das clientes da agência que tinha uma empresa de turismo aqui em Belém há mais de 18 anos. No meio da conversa, meu pai perguntou como estavam os negócios. Ela disse que tinha muita gente viajando para o Exterior, principalmente para China, mas a parte do receptivo da agência estava dando dores de cabeça, tanto, que ela pensou até em terceirizar o serviço. Neste momento, prontamente, meu pai disse: “meu filho vai abrir uma empresa de receptivo. Ele pode te ajudar nisso aí”. Eu até havia pensado em fazer algo em turismo, mas não tinha decidido nada ainda. Ela, então, pediu para eu ir à agência no outro dia. Quando saiu da agência dela, meu pai me ligou e disse: “olha, Alex, amanhã começa o seu trabalho com sua empresa de turismo”.

P – Depois de descobrir “que tinha uma empresa de turismo”, o que você fez?
AF – Comecei a elaborar tudo em relação à empresa junto ao meu pai. O turismo, desde 2009, antes mesmo de começar a fazer Administração, era sempre algo que eu queria fazer, mas não cheguei a concretizar. Aí, a gente começou a criar a empresa, site, página no Facebook, divulgação em todos os hotéis da cidade. A priori, a empresa da amiga do meu pai foi muito importante porque ajudou a divulgar o nosso trabalho e nunca deixou a gente preso. Não cuidávamos apenas dos clientes dela, podíamos prospectar novos clientes também. Estamos, atualmente, com material em todos os hotéis de Belém, participamos de feiras em todo o País, além de já ter participado de feira em Portugal.

P – E o futebol nesta história?
AF – Foi ficando de lado. Depois de três anos como profissional, parei de jogar profissionalmente em 2012. Quando era jogador ficava assim: chegava ao treino com o meu celular e o deixava com o massagista. Depois do treino, perguntava para ele se alguém tinha ligado e já tinha perdido ligações. Não dava para conciliar porque os treinos aconteciam todos os dias. A empresa, graças a Deus, foi crescendo. Eu parei de jogar profissionalmente, mas continuo jogando campeonatos locais e da Associação Atlética Banco do Brasil.

Alex Flávio Brazil Amazon Turismo Entrevistas Parole 4

Em Miami, nos Estados Unidos, de onde Alex partiu para Bahamas (foto: arquivo pessoal)

P – Com certo tempo trabalhando com turismo, como é o seu olhar quando viaja a lazer?
AF – Toda viagem que faço, atualmente, até a lazer, sempre tem um objetivo ligado à empresa. Como a gente não faz somente receptivo [há o emissivo também], as minhas viagens são para destinos que o meu público tem pedido mais. Por exemplo: eu vendo muito cruzeiro, mas ainda não tinha feito. Tem gente que diz que balança; outras, que é muito legal. E fiz um cruzeiro, saindo de Miami, nos Estados Unidos, para Bahamas, no Caribe. Depois disso, conseguimos vender até mais cruzeiros porque agora já tenho experiência de ter feito um. Isso saindo de Miami, que é um destino que vendemos muito também. Miami e Orlando, por causa dos parques. Viajei também para Argentina, que é um destino que vende bem, além de Portugal. Aqui no Brasil, só me falta conhecer o Acre e Roraima. Quando viajo, pego contato dos guias, hotéis e empresas de transporte que gosto. O engraçado é que, como estou acostumado a lidar com o público, às vezes estou em uma excursão e, na hora de sair do ônibus, fico esperando na porta para ajudar as pessoas a descer. Até minha noiva, Adriana, pergunta: “e aí, tá trabalhando?” E em todos os lugares onde vou, tento pegar boas ideias. No Nordeste, por exemplo, as pessoas são super-criativas e, com uma concorrência muito grande, sempre fazem coisas para atrair mais clientes. São viagens que servem como reciclagem.

P – Nessas diversas viagens, já aconteceu algo de errado?
AF – A mala não chegar ao aeroporto. Acho que isso acontece com todo mundo, principalmente em viagens que têm muitas conexões. Às vezes, passa por um aeroporto movimentado e…

P – E algo de engraçado?
AF – Uma vez, quando era adolescente, estava viajando com a família de ônibus e passamos por uma parada na estrada. Fomos ao banheiro, comemos alguma coisa e me dirigi primeiro ao ônibus. Ao me aproximar, percebi que ele estava de saída do estacionamento da parada. Neste momento, vi um rapaz que estava com a gente no ônibus e perguntei se aquele era o nosso. Ele viu minha cara de besta e disse que sim. Aí, fui eu correndo atrás do ônibus errado como um louco.

Alex Flávio Brazil Amazon Turismo Entrevistas Parole 5

Aqui, em Salinas, no norte do Pará (foto: arquivo pessoal)

P – Como um viajante experiente, quais dicas você dá para o leitor?
AF – Dica para quem viaja de ônibus: * geralmente, eles vão em comboio e têm uma parada na madrugada. Aí, a pessoa desce, vai ao banheiro e, quando volta, ainda com sono, vê nove ônibus iguaizinhos. A dica é sempre anotar o nome na frente do ônibus ou o número dele, para não ocorrer confusão.

* Uma dica importante é sempre ter informações sobre o destino para onde você vai viajar. O papel dos agentes de viagens, hoje em dia, é de consultoria. Eles dão diversas informações sobre o destino. Agora, se a pessoa não quiser ir até um agente, ela tem de buscar informação em sites de viagens, blogs, saber o que as pessoas estão falando sobre o destino.

* É preciso tomar cuidado com documentos, principalmente em viagens internacionais. É sempre bom fazer cópias de documentos, passagens e tudo o que necessário. Proteger bem as malas, com cadeados, ainda mais com essa onda de assaltos a turistas brasileiros nos Estados Unidos.

* Algo importante também é estar em dia com vacinas, levar os medicamentos rotineiros, antialérgicos, porque, muitas vezes, você vai a uma farmácia lá fora e não sabe como é o remédio que precisa. A dica é levar uma “farmacinha” para evitar problemas com remédios. Em relação à saúde, é preciso dizer que o seguro-viagem é muito importante. Alguns países até tornam obrigatório o seguro para que os turistas possam entrar.

* Uma, para quem for a Brasília, visitar os monumentos do governo: não é permitido entrar de shorts. Apesar de fazermos quase tudo andando, além do calor e tudo mais, só podemos entrar lá com calças.

Fonte: www.parole.com.br
http://www.parole.com.br/alex-flavio-de-jogador-de-futebol-a-empresario-no-turismo/
 




Galeria de fotos